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quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Planeta dos Homens-Macacos Socialistas

A tentativa comunista de gerar homens-macacos

Escrito por Leão Alves

A bizarra tentativa comunista de produzir homens-macacos reflete a falta de limites do comunismo e seus vínculos históricos como o racismo, a eugenia e a desumanização.

No artigo ‘Scientific Ethics and Stalin’s Ape-Man Superwarriors’ do mestre em Antropologia Evolucionária, Eric M. Johnson, publicado na revista “Scientific American”, este registra que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) financiou na década de ’20 do século passado uma pesquisa visando à geração de híbridos de humanos e macacos. Híbridos são seres resultantes da mistura de espécies diferentes como, p. ex., o burro, que resulta do cruzamento entre jumento e égua.

A pesquisa esteve a cargo do especialista russo em procriação animal, Ilya Ivanov, um cientista de prestígio mundial. Em 1901, ainda na época da Rússia czarista, Ivanov havia criado o primeiro centro especializado em inseminação artificial no mundo. Foi também o primeiro cientista a produzir híbridos através de inseminação artificial.

Após encerrar sua formação acadêmica, em 1896, na área de fisiologia, tornou-se pesquisador do Instituto Pasteur, da França. Também trabalhou com Ivan Pavlov, prêmio Nobel de Medicina.

 As técnicas de inseminação artificial desenvolvidas por Ivanov eram voltadas especialmente para animais de pecuária. Entre os tipos de híbridos produzidos artificialmente por ele havia zebroides, resultantes da mistura de zebra com outras espécies de equinos.

Já em 1924, Ivanov comentou em uma conferência na Áustria sobre a possibilidade de gerar híbridos entre humanos e macacos.

A idéia de manipular biologicamente o ser humano não era algo novo para o comunismo nem um fato isolado desta ou daquela face com a qual se apresenta, mas parte essencial do evolucionismo e materialismo marxista.

Em “Literatura e Revolução”, escrito por volta de 1922, por Léon Trotsky, este afirma que:

“O Homo sapiens, atualmente congelado, tratará a si mesmo com objetos dos métodos mais complexos da seleção artificial e tratamentos psicofísicos. (…) O gênero humano, que deixou de arrastar-se diante de Deus, do Czar e do Capital deverá capitular ante as leis obscuras da herança e da cega seleção sexual? O homem livre tratará de alcançar um equilíbrio melhor no funcionamento de seus órgãos e um desenvolvimento mais harmonioso de seus tecidos (…). Por conseqüência, não há dúvida de que a falta de harmonia anatômica e fisiológica, a extremada desproporção no desenvolvimento de seus órgãos ou o emprego de seus tecidos dão a seu instinto vital um temor mórbido, histérico, da morte (…). Por isso, elevar-se-á ao nível mais alto e criará um tipo biológico e social superior, um super-homem, se desejares. (…) O homem [comunista] se fará incomparavelmente mais forte, mais sábio e mais sutil. Seu corpo será mais harmonioso, seus movimentos mais rítmicos, sua voz mais melodiosa. O homem médio alcançará o nível de um Aristóteles, de um Goethe, de um Marx. E acima destas alturas, novos cumes se elevarão”.

Antes dele, Joseph Stálin, em “Anarquismo ou Socialismo?”, de 1907, afirmara que,

“Na vida social mudam (…), primeiro, as condições externas, mudam primeiro as condições materiais, e depois, em consonância com isso, mudam também o modo de pensar dos homens, seus usos e costumes, sua concepção do mundo.

“Por isso diz Marx:

“‘Não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas, pelo contrário, seu ser social é que determina sua consciência’”.

De Karl Marx a Pol Pot, racismo e eugenia sempre foram parte da ideologia comunista. O atual apoio comunista ao abortismo, ao verwoerdismo e à Desmestiçagem na América Latina não são, assim, um desvio casual ou mais um diversionismo.

Voltando aos homens-macacos, Ivanov conseguiu, em 1924, autorização do Instituto Pasteur para o projeto, além de livre acesso a um centro de chimpanzés na Guiné, na África, à época uma colônia francesa.

As despesas foram bancadas pela URSS. Ivanov recebeu da Comissão Financeira Soviética a quantia de U$ 10.000,00 e, depois, o aval da Academia Soviética de Ciências.

Ivanov chegou à Guiné Francesa em março de 1926. Ele pretendia inseminar chimpanzés com esperma humano. A dificuldade de encontrar fêmeas em idade fértil e a hostilidade da equipe local limitaram as tentativas a três. Com as verbas e o tempo acabando, o cientista comunista teve uma idéia mais revolucionária ainda: inseminar mulheres africanas com esperma de chimpanzés… sem o conhecimento delas. Estava a ponto de realizar a experiência, mas o governador geral da Guiné proibiu. Ivanov, então, voltou à Europa.

A tentativa de inseminar mulheres africanas sem o consentimento das mesmas causou grande revolta na Academia Soviética de Ciências, mas não por qualquer questão de escrúpulo – esta ‘coisa’ conservadora –, mas pelo fato de que “poderia minar a confiança entre africanos e pesquisadores e médicos europeus e tornar problemáticas quaisquer outras expedições de cientistas russos para a África”.

Assim, embora Ivanov tivesse fracassado na África, na Geórgia os comunistas continuaram as experiências com supostas voluntárias. Mas nada de nascer o homem-macaco.

Fracassado e marginalizado, mas não derrotado, Ivanov soube da existência de uma senhora cubana que criava chimpanzés em Havana. Não, desta vez Fidel não teve nada a ver com a história – nesta época Cuba ainda era dos cubanos.

Ivanov enviou a ela uma carta solicitando um chimpanzé macho. Como não tinha recursos para a nova tentativa, solicitou ajuda à Associação Americana para o Progresso do Ateísmo. O presidente desta organização tinha o gracioso hábito de aparecer para suas apresentações ao lado de um chimpanzé vestido. O presidente não manteve sigilo e, assim, o que os comunistas andaram fazendo com as mulheres e os macacos chegou à imprensa dos EUA.

Aqui a história tornou-se mais bizarra ainda. Não as feministas, mas os cavaleiros encapuzados da organização racista branca Ku Klux Klan ameaçaram a senhora cubana exigindo que ela não colaborasse com o racista soviético. Ivanov ficou sem o macaco.

Derrotado, foi condenado por seu fracasso e prejuízo aos cofres públicos a cinco anos de prisão, o que foi mudado, em 1931, para exílio no Cazaquistão, onde morreu no ano seguinte.

Mas, afinal, qual o interesse comunista em gerar os “humanzés”? As hipóteses são muitas e uma das mais difundidas diz que Stálin pretendia criar um exército de super-guerreiros: “Eu quero um novo e invencível ser humano, insensível à dor, resistente e indiferente à qualidade da comida que consumir” – teria dito, segundo jornais de Moscou.

Alexander Etkind, PhD, da Universidade de Cambridge, nascido na URSS e especialista em história da Rússia, cita três possibilidades para o projeto comunista: “em primeiro lugar, a hibridização entre homens e macacos, caso tivesse sucesso, seria um apoio à propaganda ateísta dos bolcheviques [os comunistas que governavam a URSS]; em segundo lugar, independentemente do sucesso da hibridação, Ivanov iria pegar e trazer os macacos para a Rússia, os quais eram necessários para os programas de rejuvenescimento que estavam na moda entre a elite bolchevique; e em terceiro, a hibridação, se fosse bem sucedida, abriria o caminho para o Novo Homem Socialista cuja ‘construção por meios científicos’ era o propósito oficial dos bolcheviques”.

Relatos como este podem surpreender a muitos e com a sistemática doutrinação comunista atual, especialmente na mídia, no meio universitário e pelo governo federal petista muitos recusarão a acreditar ou depreciarão a importância do fato. Não faltam registros, porém, que demonstram que os vínculos do comunismo com a eugenia e com o racismo, inclusive o nazista, não são recentes nem casuais – e isto deve ser lembrado, particularmente em temas como direitos humanos, reprodução e discriminação racial.

Leão Alves é médico e secretário-geral do Movimento Nação Mestiça.

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