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quarta-feira, 10 de julho de 2013

A COVARDIA NA VISÃO DE MENCKEN



Por Henry Louis Mencken

O homem médio

Costuma-se jogar na cara dos marxistas, com a sua concepção materialista da História, que eles subestimam certas qualidades espirituais do homem que não dependem de quanto ele ganhe ou deixe de ganhar.

O argumento é o de que essas qualidades colorem as aspirações e atividades do homem civilizado tanto quanto são coloridas pela sua condição material, tornando assim impossível simplesmente reduzir o homem a uma máquina econômica.

Como exemplos, os antimarxistas citam o patriotismo, a piedade, o senso estético e a vontade de conhecer Deus. Infelizmente, os exemplos são mal escolhidos. Milhões de homens não ligam para o patriotismo, a piedade ou o senso estético, e não têm o menor interesse ativo em conhecer Deus.

Por que os antimarxistas não citam uma qualidade espiritual que seja verdadeiramente universal? Pois aqui vai uma. Refiro-me à covardia. De uma forma ou de outra, ela é visível em todo ser humano; serve também para separar o homem de todos os outros animais superiores. A covardia, acredito, está na base de todo sistema de castas e na formação de todas as sociedades organizadas, inclusive as mais democráticas.

Para escapar de ir à guerra ele próprio, o camponês dava de mão beijada certos privilégios aos guerreiros e destes privilégios brotou toda a estrutura da civilização.

Vamos recuar mais ainda no tempo. Foi a propriedade que levantou a lebre de que uns poucos homens relativamente corajosos foram capazes de acumular mais posses do que hordas de covardes - e, como se fosse pouco, de mantê-las depois de acumuladas.


Fonte: O LIVRO DOS INSULTOS DE H. L. MENCKEN ("Sábio de Baltimore")

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