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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Os Sermões – Padre Antônio Vieira

SERMÃO DO NASCIMENTO DA VIRGEM MARIA DEBAIXO DA INVOCAÇÃO DE N. SENHORA DA LUZ, TÍTULO DA IGREJA E COLÉGIO DA COMPANHIA DE JESUS, NA CIDADE DE S. LUÍS DO MARANHÃO. ANO DE 1657

Para aqueles que não dão a importância que a Nossa senhora merece, é bom ler este artigo, melhor seria se lessem esse livro inteiro: Os sermões

Por Padre Antônio Vieira

De qua natus est Jesus. (Da qual nasceu Jesus)

... Aquela mulher prodigiosa do Apocalipse, que S. João viu com as asas estendidas, toda a Igreja reconhece que era a Virgem Maria. E nós podemos acrescentar que era a Virgem debaixo do nome e invocação de Senhora da Luz. A mesma luz o dizia e o mostrava, que da peanha até a coroa toda era luzes: a peanha lua, o vestido sol, a coroa estrelas; toda luzes e toda luz. E pois a Senhora da Luz está com as asas abertas; metamo-nos debaixo delas, e muito dentro delas, para que sejamos filhos da luz. Dum lucem habetis, credite in lucem ut filii lucis sitis, diz Cristo (Jo. 12,36). Enquanto se vos oferece a luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Sabeis, cristãos, por que não acabamos de ser filhos da luz? É porque não acabamos de crer na luz. Creiamos na luz, e creiamos que não há maior bem no mundo que a luz, e ajudem-nos a esta fé os nossos mesmos sentidos.

Por que estimam os homens o ouro e a prata, mais que os outros metais? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam os diamantes e as pedras preciosas mais que as outras pedras? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam mais as sedas que as lãs? Porque têm alguma coisa de luz. Pela luz avaliam os homens a estimação das coisas, e avaliam bem, porque quanto mais têm de luz, mais têm de perfeição.

Vede o que notou Santo Tomás: Neste mundo visível, umas coisas são imperfeitas, outras perfeitas, outras perfeitíssimas; e nota ele com sutileza e advertência angélica, que as perfeitíssimas têm luz, e dão luz; as perfeitas não têm luz mas recebem luz; as imperfeitas nem têm luz, nem a recebem.

Os planetas, as estrelas e o elemento do fogo, que são criaturas sublimes e perfeitíssimas, têm luz e dão luz; o elemento do ar e o da água, que são criaturas diáfanas e perfeitas, não têm luz mas recebem luz; a terra e todos os corpos terrestres, que são criaturas imperfeitas e grosseiras, nem têm luz, nem recebem luz, antes a rebatem e deitam de si. Ora, não sejamos terrestres, já que Deus nos deu uma alma celestial; recebamos a luz, amemos a luz, busquemos a luz, e conheçamos que nem temos, nem podemos, nem Deus nos pode dar bem nenhum que seja verdadeiro bem, sem luz.

Ouvi umas palavras admiráveis do apóstolo S. Tiago na sua epístola: Omne datum optim um, et omne donum perfectum de sursum est, descendens a Patre luminum (Tg. 1,17): Toda dádiva boa, e todo dom perfeito descende do Pai dos lumes. Notável dizer! De maneira que quando Deus nos dá um bem que seja verdadeiramente bom, quando Deus nos dá um bem que seja verdadeiramente perfeito, não se chama Deus pai de misericórdias, nem fonte das liberalidades: chama-se pai dos lumes e fonte da luz, porque no lume e na luz, que Deus nos dá com os bens, consiste a bondade e a perfeição deles. Muitos dos que nós chamamos bens de Deus, sem luz são verdadeiramente males, e muitos dos que nós chamamos males, com luz são verdadeiros bens.

Os favores sem luz são castigos, e os castigos com luz são favores; as felicidades sem luz são desgraças, e as desgraças com luz são felicidades; as riquezas sem luz são pobreza, e a pobreza com luz são as maiores riquezas; a saúde sem luz é doença, e a doença com luz é saúde. Enfim na luz ou falta de luz consiste todo o bem ou mal desta vida, e todo o da outra.

Por que cuidais que foram santos os santos, senão porque tiveram a luz que a nós nos falta? Eles desprezaram o que nós estimamos, eles fugiram do que nós buscamos, eles meteram debaixo dos pés o que nós trazemos sobre a cabeça, porque viam as coisas com diferente luz do que nós as vemos. Por isso Davi em todos os salmos, por isso os profetas em todas suas orações, e a Igreja nas suas, não cessam de pedir a Deus luz e mais luz.

Esse é o dia, cristãos, de despachar estas petições. Peçamos hoje luz para nossas trevas, peçamos luz para nossas escuridades, peçamos luz para nossas cegueiras, luz com que conheçamos a Deus, luz com que conheçamos o mundo, e luz com que nos conheçamos a nós. Abramos as portas à luz para que alumie nossas casas; abramos os olhos à luz, para que alumie nossos corações; abramos os corações à luz, para que more perpetuamente neles. Venhamos, venhamos a buscar luz a esta fonte de luz, e levemos daqui cheias de luz nossas almas. Com esta luz saberemos por onde havemos de ir; com esta luz conheceremos donde nos havemos de guardar; com esta luz, enfim, chegaremos àquela luz onde mora Deus, a que o apóstolo chamou luz inacessível: Qui lucem inhabitat inaccessibilem (I Tim. 6,16), que só por meio da luz que hoje nasce, se pode chegar à vista do sol que dela nasceu: De qua natus est Jesus.

Fonte: Os Sermões – Padre Antônio Vieira (Compre este livro, valorize a obra e o autor.)

Biblioteca Subversiva: Dicas de livros

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O objetivo da Lei - Frase de Frédéric Bastiat

“A missão da lei não é oprimir pessoas ou despojá-las de suas propriedades, ainda que seja para fins filantrópicos. Seu objetivo é proteger as pessoas e a propriedade.” Frédéric Bastiat


Frase libertária (33) extraída do livro “A Lei” de Frédéric Bastiat *Baiona, 30 de junho de 1801 + Roma, 24 de dezembro de 1850)

sábado, 30 de julho de 2016

Crimes inventados

Por Priscila Chammas
A única vítima do crime sem vítima é você que não cometeu crime algum.

Segunda-feira, 11h.  João dirige numa rodovia com os faróis apagados. Chega a hora do almoço, e ele para numa churrascaria de beira de estrada. João segura os talheres com cabo de madeira e se esbalda nas carnes mal passadas. Tem batata-frita também. João adora batata-frita com bastante sal. Ele pega o saleiro em cima da mesa, e capricha. Bem alimentado, segue viagem até a cidade, onde para no banco para pagar uma conta. A fila está grande, e enquanto aguarda sua vez, ele pega o celular e liga para a namorada Maria.

Combinam um restaurante japonês mais tarde.  À noite, João pede um Uber e vai buscar Maria para o programa combinado. Clientes antigos do japa, João e Maria não têm dificuldades para comer de palitinho. Nem o arroz escapa da habilidade de seus hashis de madeira. Passa das 22h, quando saem de lá e vão para a casa de João, esticar o programa. Antes, passam numa loja de conveniência e compram umas cervejas. E assim acaba o dia de João, um criminoso.

Pode não parecer, mas praticamente tudo o que João fez no seu dia era contra a lei, ou ao menos algum parlamentar tentou tornar contra a lei: incluindo a carne nas egunda-feira, o saleiro na mesa, o hashi de madeira e a cerveja na loja de conveniência (se fosse no mercado, poderia). Mas se achar os crimes de João é uma tarefa difícil para pessoas comuns, mais difícil ainda é encontrar as vítimas dos crimes de João. Não existem vítimas. No máximo, ele mesmo, que pode ficar hipertenso pelo excesso de sal na batata-frita. Mas isso, obviamente, é um problema que João precisa resolver sem a ajuda do poder público. No mais, crimes sem vítimas não são crimes, ou pelo menos não deveriam ser.

É através desses pequenos crimes inventados que o governo vai regulando e tomando conta da vida das pessoas, em aspectos que não lhe dizem respeito, mas alegando sempre as melhores intenções. Um exemplo disso foi a lei que proibiu o uso de telefone celular em agências bancárias de Salvador, em 2010. Seis anos se passaram, e o único efeito prático foi atrapalhar a vida de quem tem coisas para resolver enquanto espera ser atendido no banco. Pode parecer incrível, mas assaltantes não costumam ser exímios cumpridores de leis. Não há nenhum indício de que a criminalidade tenha caído por conta da proibição, e se você digitar “saidinha bancária Salvador” no Google, vai se deparar com inúmeras notícias publicadas depois que a lei já estava vigente.

Segundo uma reportagem do site Spotniks, há 71 mil leis em vigor hoje no país, apenas em âmbitos estaduais e federal. É impossível estar ciente de todas as leis existentes no país, e, neste exato momento, você pode estar cometendo uma infração sem saber. Afinal, além das 71 mil, há ainda as leis municipais. E na Câmara Municipal de Salvador, cada cabeça é um mundo (da Lua).

Certa feita um parlamentar se orgulhava de ter proposto 300 leis num espaço de nove meses. “Se são bons ou ruins, eu não sei. Só sei que tenho 300 projetos apresentados”, gabou-se, numa entrevista. Um outro vereador orgulha-se de ter proposto a obrigatoriedade de etiquetas em braile em peças de vestuário vendidas na cidade. E um terceiro teve a genial idéia de obrigar concessionárias de veículos a dar mudas de plantas de brinde a todos os clientes que comprassem um carro.

As motivações são as mais nobres possíveis: inclusão, meio ambiente, saúde, segurança... Mas tanto controle estatal na vida das pessoas e das empresas trazem muito mais transtornos do que bons resultados para a sociedade. O governo não é babá de adulto. Crimes sem vítimas são crimes inventados.

*Priscila Chammas A autora é jornalista

Fonte: PSFBI - Políticos Socialistas Fazendo os Brasileiros de Idiotas

A função da lei - Frase de Frédéric Bastiat

"Não é verdade que a função da lei seja reger nossas consciências, nossas ideias, nossas vontades, nossa educação, nossos sentimentos, nosso trabalho, nosso comércio, nossos talentos ou nossos prazeres. A função da lei é proteger o livre exercício destes direitos e impedir que qualquer pessoa possa impedir qualquer cidadão de usufruir desses direitos." Frédéric Bastiat


Frase libertária (32) extraída do livro “A Lei” de Frédéric Bastiat *Baiona, 30 de junho de 1801 + Roma, 24 de dezembro de 1850)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O estado pastor e o povo rebanho - Frase de Frédéric Bastiat

“Em uma palavra, enquanto os homens imaginarem que sua relação com o estado é a mesma que existe entre o pastor e seu rebanho, tudo permanecerá como está.” Frédéric Bastiat


Frase libertária (31) extraída do livro “A Lei” de Frédéric Bastiat *Baiona, 30 de junho de 1801 + Roma, 24 de dezembro de 1850)- (compartilhe)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Por que os Keynesianos estão gritando por consenso? – O Barco Macroeconômico está à deriva e afundando...

Será que os novos Keynesianos estão admitindo paulatinamente os seus erros teóricos e dando um salto para o livre mercado? Isso é bom, quanto mais consenso, nesse sentido, entre os economistas e menos ideologia e intromissão do estado na economia melhor será para os consumidores, e mais liberdade de escolha para os cidadãos. Todavia não devemos confundir bom senso econômico, causa e efeito, com democracia econômica em que vários economistas mesmos estando teoricamente errados (erros conceituais) venceriam o debate simplesmente por serem a maioria. Anon, SSXXI

**************************************O que é consenso entre os economistas e devíamos adotar sem medo?

John Maynard Keynes - Estou com o estado e não abro!

Por Greg Mankiw (Keynesiano)

O debate público leva alguns observadores a pensar que economistas estão inconciliavelmente divididos sobre tópicos de políticas públicas. Isso é verdade no que concerne à teoria dos ciclos de negócios e, mais especificamente, às virtudes ou aos defeitos da economia Keynesiana. Contudo, isso não é verdade sob uma perspectiva mais ampla.

Em meu livro didático preferido sobre a teoria dos ciclos reais de negócios apenas nos últimos capítulos fala-se o porquê tal teoria é controversa. Acredito que é melhor apresentar economia a estudantes com pontos em que há maior consenso teórico. No capítulo dois do livro, eu incluí uma tabela de assertivas com as quais a maior parte dos economistas concorda, com base em várias pesquisas profissionais. Aqui está a lista, juntamente com o percentual de economistas que concordam com elas:

1.     Controlar o valor máximo de alugueis reduz a quantidade e a qualidade de moradias disponíveis. (93%)
2.     Tarifas e cotas de importação geralmente reduzem o bem-estar econômico geral. (93%)
3.     Taxas de câmbio flutuantes e flexíveis proporcionam um arranjo monetário internacional eficaz. (90%)
4.     Política fiscal (como cortes de impostos ou aumento de gastos públicos) tem um impacto incentivador significativo em uma economia em que haja pleno desemprego. (90%)
5.     Os Estados Unidos não deveriam restringir empregadores de terceirizar trabalho para outros países. (90%)
6.     Os Estados Unidos deveriam eliminar subsídios agrícolas. (85%)
7.     Governos local e estadual deveriam eliminar subsídios para times esportivos. (85%)
8.     O orçamento federal deveria ser planejado considerando o ciclo econômico em vez de proposto ano a ano. (85%)
9.     A diferença entre os fundos e os gastos de previdência se tornará insustentável nos próximos cinquenta anos se as regras atuais se mantiverem inalteradas. (85%)
10.                       Pagamentos diretos em dinheiro aumentam mais o bem-estar dos destinatários do que a entrega de bens de mesmo valor monetário. (84%)
11.                       Um grande déficit orçamentário federal tem um efeito adverso na economia. (83%)
12.                       Um salário mínimo aumenta o desemprego entre trabalhadores jovens e menos qualificados. (79%)
13.                       O governo deveria reestruturar o sistema de seguridade social com base em um “imposto de renda negativo”. (79%)
14.                       Impostos sobre dejetos químicos e cotas negociáveis de emissão de poluentes são uma forma melhor de controle de poluição do que a imposição de um limite máximo de poluição. (78%)

Se nós pudéssemos convencer o público a apoiar essas propostas, tenho certeza de que os líderes mundiais seguiriam rapidamente, e as políticas públicas seriam muito melhoradas. Por isso que a educação econômica é tão importante.

PS: Note que a frase sobre política fiscal (#4) não distingue entre impostos e gastos como a melhor ferramenta para estabilização macro. Talvez essa pergunta devesse ser adicionada em pesquisas futuras. Eu duvido, no entanto,  que a resposta fosse suficientemente consensual para que figurasse nesta lista.

Fonte: Mercado Popular