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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A Grande Parada: Ensaio acerca da sobrevivência da utopia socialista - Jean François Revel

Jean François Revel é professor de filosofia e membro da Academia Francesa de Letras. Desde 1987 alerta a França sobre os riscos do terrorismo e as ameaças à democracia. Em A Grande Parada estuda a sobrevivência da utopia socialista, mesmo depois de ser dado como morta com a queda do muro de Berlin.


O liberalismo não é uma ideologia, o sinal oposto do socialismo. Quando Adam Smith escreveu A Riqueza das Nações não estava propondo um modelo social, mas tentando descobrir o que as experiências de sucesso tinham em comum. O liberalismo democrático não se propõe a ser um modelo de sociedade, mas simplesmente um conjunto de práticas de sucesso. O socialista não consegue conceber que o capitalismo não é um sistema, mas um conjunto de prática baseadas na liberdade.Trata-se de uma anti-ideologia.

O livro trata da recusa da esquerda em aceitar que a ideologia comunista foi responsável por milhões de mortes em todo o mundo. Revel não aceita a distinção do socialismo real do socialismo utópico. Argumenta que o regime comunista soviético seguiu exatamente o que pregava o marxismo-leninismo, que o regime é criminoso em sua própria essência.

Faz um ataque feroz ao totalitalismo, e questiona por que o totalitarismo soviético não recebeu da intelectualidade européia o mesmo tratamento do nazismo. Aponta as muitas semelhanças entre as duas ideolgias e fica claro que Hitler se inspirou nas obras de Marx e Lenin para montar seu modelo de estado. O nazismo nunca negou sua vocação anti-democrática. Hitler achava a democracia um erro e tratou de sepultá-la na Alemanha, semelhante aos comunistas russos afirmavam ser a democracia um conceito burguês a ser extirpado da União Soviética.

Disseca também o virulento ataque à obra O Livro Negro do Comunismo que, à partir do estudo sistemático dos arquivos soviéticos levados a publico após o fim da cortina de ferro, estabeleceu com números o tamanho dos crimes cometidos. Segundo Revel, os socialistas recusam-se a aceitar que foram cúmplices de alguns dos maiores crimes da história humana.

Critica de forma veemente a concentração do poder econômico na mão do Estado e a rede de proteção social incompatível com seu tamanho. Cita a França como exemplo de suas principais conseqüências: a estagnação e o desemprego. Apresenta como os dois grandes motivos para a sensação de conforto em pertencer a um grande aparato estatal dois temores que existem em cada um de nós: o medo da concorrência e o medo da responsabilidade.

"A grande arte econômica consiste um obter do poder público que ele saqueie meu vizinho em meu próprio benefício, se possível sem que ele fique sabendo para quem vai o dinheiro que lhe foi roubado."

No capítulo denominado Extrema Esquerda e Antiamericanismo faz um retrato francês que o leitor associa com facilidade à realidade da América Latina. Quando exemplifica o discurso da extrema esquerda em que "é preciso fazer com que os ricos paguem tudo, ou seja, impedí-los de ganhar dinheiro; os jornalistas são, sem exceção, lacaios do capital e do poder político" quase dá para escutar a voz da nossas esquerdas ao sul do Equador.

Vale a máxima: os Estados Unidos estão sempre errados. Lembra que na questão de Kosovo, os americanos foram chamados pela União Européia para evitar o desastre de um problema criado exclusivamente pelos próprios europeus. Não havia, neste caso, nenhum interesse econômico americano na região. Pois a intervenção foi vista como indevida. Caso tivessem recusado, seriam vistos como desprezo por não intervir em um conflito pois envolvia apenas vidas humanas. Os americanos sempre estarão errados, seja qual for a ação tomada.

O exemplo mais claro foi o da unificação alemã. A Europa a viu com desconfiança, principalmente por parte de Thatcher e Mitterrand. Foi George Bush, ao deixar claro aos beligerantes russos que ameaçavam Gorbatchev que não admitiria a repetição da primavera de Praga, quem deu sustentação política ao chanceler alemão, Helmut Kohl. Não foi por acaso que em 9 de novembro de 1999, na cerimônia de comemoração do décimo aniversário da queda do Muro de Berlin "os únicos heróis do dia tenham sido Helmut Kohl, Mikail Gorbatchev e George Bush".

Revel faz um retrato atual da operação em curso de intelectuais e boa parte da mídia em mascarar os efeitos nocivos do socialismo e defender a utopia como uma etapa superior da humanidade. É um testamento que uma ideologia tem a incrível capacidade de resistir à verdade dos fatos e essa resiliência é uma das fontes de sua força.

Fonte: Caminhada filosófica

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