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sábado, 10 de agosto de 2013

As ideias, não as pessoas certas



Por Elisa Lucena Martins

Não acredito que o maior problema do Brasil esteja na ineficiência estatal, na corrupção escandalosa, nem na realização de uma copa sem fundos. Nada disso se resolve sem antes consertarmos nossa cultura paternalista que leva a maioria dos cidadãos a esperar que seus problemas sejam resolvidos pelo governo. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular aponta que 75% dos jovens de 18 a 30 anos não confiam nos parlamentares. A má notícia é que mais de 60% destes mesmos jovens acreditam que quem deve resolver os maiores problemas do país é o governo. Depositam sua fé no mesmo governo que não lhes inspira confiança. O Brasil precisa de uma mudança de mentalidade, e é essa a importante tarefa do movimento liberal.

Com exceção de alguns bravos manifestantes que pediam menos impostos e mais liberdade, o foco dos protestos ao redor do Brasil foi a demanda por mais cuidados do governo. O Brasil tem uma carga tributária 67% mais alta que a média da América Latina e é compreensível que seus cidadãos queiram exigir serviços públicos impecáveis. Entretanto, ao pedirem mais intervenção governamental, ignoram o fato de que mais poder nas mãos do governo aumenta as oportunidades de corrupção e diminui os incentivos para melhor prestação de serviços.

Governos e incentivos

Milton Friedman não acreditava que os fracassos governamentais se resolveriam assim que o povo elegesse as pessoas certas. Para ele, o importante é que se estabeleça um clima de opinião política e uma estrutura de incentivos que façam com que pessoas erradas tomem as decisões certas. Nem mesmo os políticos certos tomariam as melhores decisões se elas não fossem politicamente lucrativas, pois não se manteriam nos seus cargos por muito tempo. Trata-se de uma questão de incentivos. Em uma sociedade que valoriza o assistencialismo, o governo que quiser se manter no poder será assistencialista. Em uma sociedade que valoriza a liberdade, o governo procurará deixar o indivíduo em paz.

Mas como nós podemos, a partir de hoje, promover incentivos que transformem o curso das políticas governamentais?

Antony Fisher, então um bem sucedido empreendedor britânico, fez essa pergunta ao economista F.A. Hayek em 1946. Fisher pensava em entrar para a política, mas Hayek convenceu-lhe a seguir outro caminho. “O curso da sociedade só será alterado através duma mudança de ideias”, disse Hayek. “Primeiro terá que atingir os intelectuais, professores e escritores com argumentos bem fundamentados. A influência desses prevalecerá, então, na sociedade e os políticos limitar-se-ão a segui-la”.

Fisher seguiu o conselho de Hayek e fundou o Institute of Economic Affairs, em 1955. Depois, em 1981, decidido a ampliar o alcance do liberalismo por todo o planeta, fundou a Atlas Economic Research Foundation. As duas organizações são hoje instrumentos importantes na disseminação dos princípios liberais ao redor do mundo.

O surgimento de novos partidos políticos que prezam pelas ideias de liberdade individual, livre mercado e governo limitado é algo que merece ser celebrado, mas seu sucesso depende de uma transformação anterior nas ideias que prevalecem na sociedade. Quem espera pelo primeiro presidente liberal para que possamos experimentar mudanças políticas positivas está colocando a carroça partidária antes dos cavalos da opinião pública.

Nos anos recentes, o movimento liberal brasileiro cresceu de maneira inédita. De um punhado de organizações ativas, foram criados múltiplos institutos, conferências e seminários de sucesso. Hoje os liberais contam com uma imensidão de páginas na internet, vídeos, grupos de estudantes, clubes de discussão e uma considerável presença na mídia. Todo esse fermento intelectual vem seguindo a receita de Hayek.

É nas mãos deste crescente movimento liberal que está a responsabilidade de divulgar novas ideias e de influenciar cidadãos para que passem a entender que o que mais importa são as ideias, não as pessoas certas.

Fonte: Ordem Livre

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