Seja bem vindo, amigo!

Seja bem-vindo, amigo! Seja você também mais um subversivo! Não se entregue e nem se integre às mentiras do governo e nem da mídia! Seja livre, siga o seu instinto de liberdade! Laissez faire! Amém!

Translate

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O velho Aqualung e o ancião Dobri Dobrev


Por Anon,

Hey Aqualung! Por acaso você conhece Dobri Dobrev? Sabe o que é? Bem, a sua aparência me lembra muito a figura daquele pobre velho! Além da idade quase centenária, da solidão e das dores nas pernas devido à idade e ao frio quase glacial, o que mais vocês poderiam ter em comum?


Foram na grande guerra? Talvez tenham até mesmo trocado tiros um com outro! Hein, Aqualung?  Agora, ambos a margem da humanidade amoral, na dependência de uns míseros trocados e a mercê do resto de tempo que parece passar bem mais rápido agora que outrora!


Sabe Aqualung! Enquanto você esteve por estás bandas da velha Escócia, mendigando em volta deste banco de parque, e lançando olhares obscenos paras as garotinhas e limpando as melecas do nariz, eu estive em Baylovo, uma aldeia próxima de Sofía, numa destas viagens que o destino impera para nos dar uma merecida lição sobre a vida.


Lá, eu tive uma grade satisfação de conhecer o mendigo Elder Dobri Dobrev e o seu peculiar modo de viver. Na época, ele já contava com os seus 96 anos de vida e com uma surdez que o acompanhava desde os tempos da segunda grande guerra mundial, da qual sobreviveu a uma explosão milagrosamente. Sua humilde casinha ficava em Baylovo, pequena aldeia que fica a uns dez quilômetros de Sófia, capital búlgara.  De manhazinha, ele vestia a sua velha roupa surrada, feita manualmente em casa, calçava os seus sapatos tradicionais de couro cor da pele e partia a pé para a capital. Muitos, entre conhecidos e estranhos, lhe ofereciam carona; ele agradecia gentilmente, mas se contentava em ganhar uma moedinha e dizia que preferia caminhar, pois andado por aquela estradinha teria chance de arrecadar mais esmola.          




Hey Aqualung! Embora sejam velhos e pertencentes à última classe social as verossimilhanças e as semelhanças entre ambos param por aqui! Baseado neste paradoxo daria para se escrever um livro de mil páginas! Pois o senhor é um extraordinário ser místico, vindo das notas musicais, um duende na forma de um velho pedinte, de olhar que beira a perversidade, que concomitantemente assombra a imaginação dos ambiciosos e comove os poucos sobreviventes da velha ordem moral. Você é fruto da pura gnose, o seu criador, que é apenas um homem, há muito não acredita mais nas religiões. E leva a vida numa boa tocando a sua flauta! Você  Aqualung é ele!


Hey Aqualung! Que ideologia maligna poderia surgi de um velho mendigo que apenas tenta se aquecer sob os frios raios do sol de inverno? Que corre atrás do Exercito da Salvação para filar um chá quentinho?  E que ainda paquera as garotinhas com se fosse um jovem Eros? Nenhuma creio! Aqualung é apenas um ser abstrato e que faz parte de uma canção...


Hey Aqualung! A realidade não esta aqui! Ela está lá em Sófia, onde o ancião Elder depois de tanto caminhar em torno das igrejas ainda consegue forças sobrenaturais para esmolar e agradecer festivamente cada níquel. O que ele recebeu de nãos, o que sofreu de humilhações e repulsa, tudo isto  foi insignificante perante a sua glória, pois logo, todo mundo ficou sabendo que ele doou para as Igrejas e orfanatos todo dinheiro que havia arrecado, durante muitos anos de peregrinação.  Ele que vivia com apenas 240 reais mensais de pensão como veterano de guerra tinha doado tudo aquilo, mais de 120 mil reais, para a preservação das igrejas, mosteiros e orfanatos.

Isto sim é fortaleza! Um homem consegue dispor daquilo que necessita em prol de outros, um verdadeiro amor cristão tão esquecido ultimamente... O princípio da subsidiariedade, o próximo ajudando o próximo mais próximo, a livre iniciativa de um homem levando vários outros a participarem, mesmo que inconscientes, do seu empreendimento caridoso.   


 Mas para a maioria dos homens mutantes de hoje, que perdeu a nobreza individual, a noção do bem e do mal, e vive arraigado na sordidez  do mundo inferior, isto é apenas um ato de loucura do pobre Dobri Dobrev.

Eles nem mesmo importam ou levam em conta a satisfação, mesmo se fosse subjetiva, do benevolente Elder de  Baylovo.  Incapazes de uma mínima ação deste tipo restam-lhes apenas as críticas para que possam ocupar o extenso vazio de suas consciências.

Saiba Aqualung! Que os olhos não mentem! Eu conheci a verdadeira generosidade nos olhos daquele homem! Demorei muito para descobrir que a realidade é tão metafísica quanto à própria metafísica. Anon, SSXXI

Nenhum comentário:

Postar um comentário

VISITE A BIBLIOTECA DO SUBVERSIVO DO SÉCULO XXI