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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Informação, contra informação e desinformação: Acreditar ou não acreditar no ex-agente da ex-KGB Mihai Pacepa.

Ao expor esses dois artigos abaixo e de forma comparativa, o objetivo do Subversivo do Século XXI não é jogar lenha ou água fria na fogueira, pois tudo que vem de agentes ou de ex-agentes da CIA ou da FSB (ex-KGB) deve ser analisado com cautela, frieza e parcimônia, digo isso, para que o seu suposto entendimento não caia no simplíssimo das dialéticas antagônicas. O mesmo deve ser dito de certos agentes de Roma. Então, em quem e no que acreditar?! Nesse campo, a dúvida já pode ser considerada um bom caminho! Anon, SSXXI

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Magia Negra da Desinformação

Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é o resumo de um dos capítulos do livro “Desinformação”, escrito pelo Tenente-General Ion Mihai Pacepa – foi chefe do Serviço de Espionagem do regime comunista da Romênia. Desertou para os EUA em julho de 1978, onde passou a escrever seus livros, narrando importantes atividades do órgão por ele chefiado, e que influenciaram diretamente alguns momentos históricos do Século XX -, e pelo professor Ronald J. Rychlak - advogado, jurista, professor de Direito Constitucional na Universidade de Mississipi, consultor permanente da Santa Sé na ONU, e autor de diversos livros -. O livro foi editado no Brasil em novembro de 2015 pela editora CEDET.

Faz muitos anos que escapei daquela sociedade mal conhecida como império soviético e vim para os EUA, a terra dos meus sonhos de juventude. Milhões de pessoas ao redor do mundo se tornaram cidadãos deste país único. Soou um dos afortunados que o conseguiram. Ainda hoje me é difícil encontrar palavras apropriadas para expressar minha gratidão ao governo americano por ter generosamente me dado asilo político, a despeito do meu cargo no topo da comunidade dos serviços de Inteligência soviéticos.

Em 1981 me casei com uma verdadeira patriota americana, escritora magnífica e excelente lingüista. Mari Lou me ajudou a me tornar um verdadeiro americano e passou os melhores anos de sua vida me ajudando a dominar o inglês e a sobreviver, apesar das duas sentenças de morte postas sobre minha cabeça e das recompensas multimilionárias pelo meu couro. Também me ajudou, dia após dia, a construir uma nova vida sob uma nova identidade de segurança, fornecida pela CIA. Não foi fácil para Mary Lou, já que o homem que iria habitar esta nova pele não tinha nenhum passado verdadeiro sobre o qual falar, ou amigos de outros tempos com os quais contar.


Após a CIA descobrir que o serviço de espionagem de Muammar Gaddafi conseguira persuadir dois ex-funcionários da CIA – que escaparam de ser presos, desertando para a Líbia – a fornecer informação interna da agência sobre meu paradeiro em troca de 1 milhão de dólares, a CIA me deu uma nova identidade e, mais uma vez, começamos nova vida do zero. Novo nome, novo passado, nova cidade, nova casa, novos clubes, novos amigos.


O meu primeiro livro foi “Horizontes Vermelhos”. Em 1987, o deputado federal Frank Wolf e o falecido senador Jesse Helms levaram para o presidente Reagan a primeira cópia impressa do “Horizontes Vermelhos”, que o teria chamado de “minha bíblia para lidar com ditadores”.


No dia 11 de março de 1989, uma foto na revista Time mostrou “Horizontes Vermelhos” na mesa do presidente George Herbert Walker Bush.

A data de 28 de julho de 1989 foi o mais importante ponto de referência da minha nova vida. Nesse dia me tornei cidadão americano. Também nesse dia a CIA distinguiu-me como a única pessoa no mundo ocidental a ter demolido sozinha todo um serviço de espionagem inimigo – o mesmo que eu administrara. E recebi a seguinte carta, assinada pelo diretor de Operações da CIA. Essa carta tornou-se o presente mais importante que recebi em toda a minha vida:

“Querido Tenente-General Ion Pacepa

Você deu uma contribuição importante e única aos EUA, da qual você só pode se orgulhar. Assim, tenho grande prazer, nesta ocasião importante e solene, de lhe desejar felicidade e realizações neste país na condição de cidadão americano”.

Em 9 de novembro de 1989, enquanto eu estava sentado diante da televisão vendo o Muro de Berlim ir abaixo, meus olhos se encheram de lágrimas. Eu estava inacreditavelmente orgulhoso de ser um cidadão dos EUA. O mundo inteiro estava expressando sua gratidão a este grande país por seus 45 anos da vitoriosa Guerra Fria contra o marxismo e o império soviético.

No Natal de 1989, o tirano Nicolae Ceauscescu foi executado ao fim de um julgamento no qual as acusações vieram quase que palavra por palavra de “Horizontes Vermelhos”. Em 1 de janeiro de 1990, o novo jornal romeno Adevarul (”A Verdade”) começou uma publicação seriada do meu livro.

Na matéria principal, o jornal explicava que a transmissão em programa seriado do livro pela rádio Europa Livre desempenhara um papel incontestável na derrubada de Ceauscescu. De acordo com um programa da rádio Romênia Internacional, “as ruas das cidades romenas ficavam vazias” durante a transmissão seriada do meu livro.

“Horizontes Vermelhos” veio a ser publicado em 27 países e, em 2010, o Washington Post recomendou que fosse incluído na lista de livros que deveriam ser lidos nas escolas, ao lado de “Testemunha”, de Withaker Chambers¹.

Enfim, continuei escrevendo.

A Desinformação causou danos mundiais à reputação dos EUA e agora está fincando raízes nesse e em outros países. Para combatermos essa arma invisível, primeiro temos que reconhecê-la e o que ela é e decifrar sua missão velada, uma vez que é costumeiramente apresentada em vestes civis inócuas, assim como os terroristas que mataram 34 mil americanos no 11 de setembro.

Este é o propósito do livro DESINFORMAÇÃO.

(*)David Whittaker Chambers  foi um escritor e editor norte-mericano. Após seus primeiros anos como membro do Partido Comunista e da espionagem soviética, renunciou ao comunismo, tornou-se um oponente franco, e testemunhou no processo em que Alger Hiss foi condenado por perjúrio e espionagem. Ele descreveu esses eventos em seu livro Testemunha, publicado em 1952.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador e Autor do livro “A Hidra Vermelha”.
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"Desinformação" e uma fonte duvidosa

Por Victor Gaetan

A era soviética é um capítulo profundamente trágico na história da Igreja Católica.

Embora o Cristianismo triunfou — a perspectiva do Evangelho acerca da dignidade individual derrotou o materialismo e a luta de classes de Marx — perdemos muito: milhares de cristãos devotos, inclusive bispos assassinados e presos, propriedades da Igreja Católica confiscadas e destruídas, gerações de católicos que não foram catequizados e a supressão dos sacramentos.

Nenhum livro abrangente foi ainda escrito sobre a visão e bravura da Igreja Católica contra o comunismo (embora o papel central do Bendito João Paulo II tenha sido bem descrito em alguns).

Mas um livro recente dizendo-se capaz de oferecer novas informações sobre essa parte da história em vez disso traz confusão e exageros.

“Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategies for Undermining Freedom, Attacking Religion and Promoting Terrorism” (Desinformação: Ex-Chefe de Espiões Revela Estratégias Secretas para Minar a Liberdade, Atacar a Religião e Promover o Terrorismo), escrito pelo ex-tenente-geral romeno Ion Mihai Pacepa e por Ronald Rychlak, professor de direito da Universidade do Mississippi, é marcado por erros significativos que falsificam tanto a história quanto os desafios contemporâneos que a Igreja Católica enfrenta.

Uma estranheza acerca de “Desinformação” é sua autoria. Os autores são especificados, mas só um faz a narração. Pacepa é uma ex-autoridade comunista intensamente polêmica cuja deserção para os Estados Unidos em 1978 ainda não é bem compreendida. Pacepa, de 84 anos, nunca aparece em público, não responderá a perguntas por telefone e responde a emails apenas por terceiros, um dos quais me disse: “Nem sei se ele existe!”

Seu coautor é Ronald Rychlak, um professor de direito católico mais bem conhecido por seu livro “Hitler, the War and the Pope ” (Hitler, a Guerra e o Papa), uma defesa bem pesquisada do histórico do Papa Pio XII durante a 2ª Guerra Mundial. Em “Desinformação,” campanhas esquerdistas para difamar o Papa Pio são apresentadas como um exemplo da máquina de propaganda do Kremlin.

O que Rychlak contribui, extraído de sua obra anterior sobre o Papa Pio, parece sólido; o que Pacepa acrescenta, extraído de seu passado sórdido como capanga e estrategista stalinista por 27 anos na Romênia, é na melhor das hipóteses questionável.

A História e Pacepa

Seis anos atrás, Pacepa revelou um relato preocupante de que ele ajudou a KGB a se infiltrar nos Arquivos Secretos do Vaticano para roubar documentos a fim de incriminar falsamente o Papa Pio XII.

No artigo “Moscow’s Assault on the Vatican” (O Ataque de Moscou ao Vaticano), publicado em 2007, Pacepa afirmou estar convencido de que o monsenhor Agostino Casaroli, diplomata lendário do Vaticano — posteriormente cardeal e secretário de Estado sob o Papa João Paulo II — permitiu que três agentes romenos, posando de padres, examinassem os arquivos papais.

Sob análise, a história de Pacepa começou a se desfazer, com dúvidas expressas por historiadores e especialistas do Vaticano.

Então a razão que Pacepa afirmou para ter credibilidade junto ao Vaticano se desmoronou: Ele disse que havia criado um “negócio de espiões” em 1959, trocando Augustin Pacha, arcebispo romeno preso, por dois espiões apanhados na Alemanha Ocidental. Mas o arcebispo Ioan Robu de Bucareste mostrou fotos da cripta do bispo de 1954, explicando que o homem heroico já estava morto quando Pacepa afirmou tê-lo libertado.

Em “Desinformação,” Pacepa tenta de novo vender a história da infiltração no Vaticano. O livro não acrescenta nenhuma evidência nova para apoiar as alegações dele. Contudo, “Desinformação” acrescenta combustível para um debate permanente acerca o próprio passado de Pacepa.

O Envolvimento de Casaroli

Uma das afirmações surpreendentes que Pacepa faz, no artigo e no livro, é que, numa reunião face a face em Genebra, o monsenhor Casaroli concordou “em princípio” dar à Romênia um empréstimo sem juros de 1 bilhão de dólares em troca da restauração de plenas relações diplomáticas com o Vaticano — relações que foram rompidas de modo dramático em 1950, quando a Romênia expulsou o núncio apostólico.

Ao lançar suspeitas sobre o caráter e a capacidade do cardeal Casaroli discernir, Pacepa mina a integridade de toda a estratégia do Vaticano entre 1963 e 1989 conhecida como “Ostpolitik.”

Essa política envolvia manter diálogo com governos comunistas a fim de ajudar a Igreja Católica e seus membros perseguidos atrás da Cortina de Ferro sem legitimar ditaduras. Em sua autobiografia, o cardeal Casaroli descreveu esse esforço como “excepcionalmente difícil.”

O Vaticano estava convencido de que a repressão comunista acabaria levando à queda da ideologia inteira. O cardeal Casaroli comparou o comunismo a uma árvore imensa que parece grande e poderosa, mas que por dentro está apodrecendo.

De acordo com o cardeal Achille Silvestrini, que auxiliava o cardeal Casaroli, o emissário trabalhou diretamente para três papas em tarefas específicas; ele não era um negociante embusteiro fazendo negociações suspeitas com oportunistas comunistas de nível médio.

“O cardeal Casaroli começou em 1963, de um modo muito organizado, como resultado de muita ponderação no nível mais elevado. É impossível que ele tenha conversado sobre dinheiro ou um empréstimo com esse homem [Pacepa] ou usado seu escritório para facilitar espiões,” o cardeal Silvestrini disse ao Register.

De acordo com o monsenhor Gabriele Caccia, assessor da Secretaria de Estado da Santa Sé, nunca se fez nenhum empréstimo para a Romênia.

Os cardeais Giovanni Cheli e Luigi Poggi, diplomatas do Vaticano, estavam envolvidos em negociações com a Romênia e o bloco soviético. O cardeal Cheli chamou as alegações de Pacepa de “cenários mentirosos,” enquanto o cardeal Poggi os declarou “produtos de uma mente e alma perturbadas.”

O arcebispo Robu, que foi consagrado pelo cardeal Casaroli, enfaticamente chama de falso o que Pacepa disse: “Saberíamos, estaria em nossas memórias, se espiões romenos ganhassem acesso aos Arquivos do Vaticano. Não aconteceu.”

Profundamente anti-russo

No geral, “Desinformação” é agressivamente anti-russo. Pacepa não faz diferença entre a era soviética e a era pós-comunista.

A descrição cáustica que Pacepa faz da Rússia e da Igreja Ortodoxa hoje contradiz de modo direto a política do Vaticano. O Vaticano vê a Rússia, junto com a Europa e a América Latina, como parte da civilização ocidental — e um baluarte contra as tendências anticristãs.

O Papa Bento 16 estabeleceu plenas relações diplomáticas com a Rússia e diálogo intenso com a Igreja Ortodoxa (que representa 71% da população da Rússia), que está experimentando um renascimento. As duas igrejas estão mais próximas hoje do que talvez em qualquer tempo desde o Cisma Oriente-Ocidente de 1054.

Em “Desinformação,” Pacepa atribui tudo a operações da KGB, desde conspirar para assassinar o presidente americano John F. Kennedy até provocar o nascimento do extremismo islâmico. Em cada cenário, ele se retrata como alguém que viu com os próprios olhos a história — quando sua verdadeira patente e descrição de cargo nunca explicariam acesso a esses eventos e decisões.

A Vizinhança que O Conhece

Larry Watts, historiador americano e especialista em inteligência que assessorou o governo romeno pós-comunista acerca de como impor controle sobre as agências de espionagem da Romênia (e fazê-las ficar em conformidade com as normas da OTAN), publicou um estudo importante sobre o relacionamento da Romênia com a União Soviética, “With Friends Like These: The Soviet Bloc’s Clandestine War Against Romania” (Com Amigos Assim: A Guerra Clandestina do Bloco Soviético contra a Romênia), em 2010, com base em pesquisas extensas em arquivos da Alemanha Oriental, União Soviética e Romênia.

Watts conclui que Pacepa deve ter sido um espião da KGB, em grande parte pelo modo como ele tentou abalar o relacionamento entre EUA e Romênia quando ele desertou para os Estados Unidos em 1978, fazendo negociações mediante o argumento de que a Romênia era um cavalo-de-troia dos interesses soviéticos.

A hipótese de Watts acerca de Pacepa foi recebida como uma bomba na Romênia, principalmente porque significa que ele é um traidor: Um agente soviético trabalhando na Romênia, principalmente depois de 1958, estaria dirigindo eventos contra as preferências e interesses da Romênia.

Dois meses atrás, um simpósio importante num museu de Bucareste foi realizado com o título “O Arquivo Pacepa.” O simpósio reuniu intelectuais, historiadores, jornalistas e políticos que lidaram com assuntos em torno de Pacepa, inclusive se ele era um agente da KGB ou não.

Um assunto foi a credibilidade de Pacepa, considerando o papel dele como iniciador de crimes contra opositores anticomunistas. De acordo com Dinu Zamfirescu, assessor científico do presidente do Instituto de Investigação de Crimes Comunistas e autoridade da CNSAS, Pacepa assinou ordens para incriminar falsamente e assassinar anticomunistas exilados.

O documento oficial Plan de Masuri (Planos Operacionais contra um Alvo), assinado por Pacepa, ordenava “intimidação frequente e a aplicação de medidas físicas corretivas” contra funcionários da Rádio Europa Livre. A CNSAS concluiu em 2006 que Pacepa era um agente da polícia política comunista da Romênia.

Quando perguntado em 2007 pelo serviço noticioso Zenit o que ele achava da história de Pacepa, o Pe. Peter Gumpel, relator do caso da canonização do Papa Pio XX, explicou seu ceticismo, dizendo: “É necessário levar em consideração que os espiões precisam justificar sua existência e precisam dar valor a coisas que têm pouca ou nenhuma importância.”

Apesar da intenção de defender o Papa Pio XII, a pose de Pacepa em “Desinformação” é audaciosa e insincera. Os leitores precisam tomar cuidado.

Victor Gaetan, que vive em Washington, é correspondente do National Catholic Register (Registro Católico Nacional). Ele é colunista da revista Foreign Affairs (Assuntos Estrangeiros). Em 2011 ele recebeu o prêmio máximo da Associação de Impressa Católica dos EUA por uma série de artigos no Register sobre Cuba.

Tradução: Julio Severo

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