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segunda-feira, 14 de abril de 2014

A arte do socialismo



Por Paulo Briguet

A literatura sempre foi um excelente método para denunciar ditaduras. Não poderia ser diferente em relação à maior das tiranias já conhecidas pela humanidade: o socialismo.

Um bom começo para quem deseja conhecer as maravilhas do socialismo real é a leitura de Arquipélago Gulag, de Alexander Soljenítsin (Nobel de 1970). Na monumental obra, o escritor russo fala sobre os campos de concentração do regime comunista com riqueza de detalhes. Soljenítsin confessa que escreveu o livro sem imaginar que alguém poderia lê-lo um dia, mas a obra chegou até nós graças ao povo russo, que a reproduziu em forma de samizdat. Em Arquipélago, particularmente estarrecedoras são as páginas em que o autor descreve os métodos de tortura empregados pela polícia soviética. É coisa de deixar qualquer facínora como o delegado Fleury se sentindo um escoteiro.

Sobre as origens da mentalidade revolucionária contemporânea, recomendo a leitura de Os Demônios, de Dostoiévski. O romance é inspirado em um fato real ocorrido na Rússia czarista, em que um grupo revolucionário decidiu matar um companheiro por suspeita de traição. Esse episódio faz lembrar que, em 1936, o “cavaleiro da esperança” Luís Carlos Prestes ordenou a morte de uma adolescente, Elza Fernandes, também por suspeita de traição, jamais comprovada. Sob as ordens de Prestes, militantes comunistas enforcaram a garota com uma corda de varal. Quem quiser conhecer melhor o episódio deve ler Elza, a Garota, de Sérgio Fernandes, e Olga, de Fernando Morais.

Há uma vasta biblioteca sobre as maravilhas do socialismo, da qual citamos alguns poucos exemplos: os ensaios de Joseph Brodsky (expulso da União Soviética por “parasitismo social”); os poemas de Anna Akhmátova (que teve o marido fuzilado


a mando de Lenin); as memórias de Nadejda Mandelstam (mulher de Ossip Mandelstam, um dos maiores poetas russos, assassinado pelo regime); o livro Cisnes Selvagens (em que Jung Chang descreve o terror de três mulheres sob o regime de Mao Tsé-tung); O Zero e o Infinito, de Arthur Kloester; os romances dos autores tchecos Milan Kundera e Ivan Klíma; e o relato autobiográfico Lágrimas na chuva, do ex-militante brasileiro Sérgio Faraco.



É muita denúncia para pouca crônica. Mas eu não poderia deixar de citar a leitura dos próprios autores comunistas, cuja eventual sinceridade me fez conhecer a verdadeira face da ideologia: Lenin, Trotsky, Victor Serge, o brilhante Isaac Deustcher, o ótimo Jacob Gorender e os canonizados Che Guevara e Carlos Marighella. É como dizia Paulo Francis: “Não há melhor propaganda anticomunista do que deixar o comunista falar”.

Fonte: Blog do horaciocb

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